
Brinco na soleria da porta. Arrumo e desarrumo os pedaços de mim em busca da melhor figura. Não percebo o tempo passar e me perco em meus rearranjos. Deixo me levar pelo sabor do não saber o próximo encaixe, talvez se monte uma figura bela, forte e ao mesmo tempo frágil, confiante e ao mesmo tempo medrosa. Como saber o quanto cresce a cada dia? É invisível a metamorfose do meu enigma, porém sinto.
Um dia paro de brincar na soleira da porta, mas o quebra-cabeça irá continuar indecifrável juntamente com os mistérios da vida.
A vida possui esse sentido para mim. Um amadurecer, vivenciar e amadurecer e vivenciar. Mas, tudo é tão imperceptível que só comparando momentos percebemos o quanto crescemos, e vivemos, e aproveitamos. Não me canso de apreciar a evolução.
