terça-feira, 24 de novembro de 2009

Rearranjos


Brinco na soleria da porta. Arrumo e desarrumo os pedaços de mim em busca da melhor figura. Não percebo o tempo passar e me perco em meus rearranjos. Deixo me levar pelo sabor do não saber o próximo encaixe, talvez se monte uma figura bela, forte e ao mesmo tempo frágil, confiante e ao mesmo tempo medrosa. Como saber o quanto cresce a cada dia? É invisível a metamorfose do meu enigma, porém sinto.
Um dia paro de brincar na soleira da porta, mas o quebra-cabeça irá continuar indecifrável juntamente com os mistérios da vida.


A vida possui esse sentido para mim. Um amadurecer, vivenciar e amadurecer e vivenciar. Mas, tudo é tão imperceptível que só comparando momentos percebemos o quanto crescemos, e vivemos, e aproveitamos. Não me canso de apreciar a evolução.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A vida como ela é


De repente sou aquele sem memória,
Procurando o início de sua história,
Não sei o fim dos dias ou das noites,
O tempo não pára,
Somente a minha procura se cala.

Aguardo o canto da aurora,
O brihar do amanhecer,
Ou quem sabe o fim do entardecer,
Para poder perceber,
O quanto ainda preciso crescer.

É uma espera sem fim,
Esse acerto da alma,
Que não tem tempo nem relógio,
Só me resta a calma.


As vezes me pego refletindo sobre a minha vida, se tomei as decisões certas, se segui o caminho certo, se ponderei quando era necessário, se tive a paciência de esperar as idéias amadurecerem na minha cabeça. As vezes acho que sim, as vezes acho que não e com isso acompanha o medo, a angústia, a ansiedade. Mas são apenas momentos... Em outra parte da minha vida valorizo os pequenos momentos, a simplicidade da vida, as grandes e pequenas conquistas, a realização de desejos e sonhos.
Acho que somos todos vulneráveis ao balé da músicalidade de nossos caminhos e todos dançamos e sentimos de forma mais ou menos intensa cada acorde de nossos arranjos.
Há momentos que prefiro ser uma estátua e não sentir nada, mas há momentos que prefiro estar povoada de sentimentos seja bons ou ruins e assim viver.